Primeira reunião da mesa de negociação termina sem acordo

Greve do transporte coletivo urbano e metropolitano prossegue. Audiência de conciliação na Justiça do Trabalho está agendada para esta sexta

Terminou sem acordo a primeira reunião da mesa de negociação entre o Sindicato dos Motoristas Rodoviários de Maringá (Sinttromar) e as empresas TCCC e Cidade Verde, que operam o transporte coletivo urbano e metropolitano, respectivamente. Portanto, a greve de dissídio coletivo da categoria entra, nesta sexta-feira (18), em seu terceiro dia.

Reunião desta quinta (17) foi realizada no Sinttromar – Foto: Luiz Fernando Cardoso/Sinttromar

Além de dirigentes sindicais, representantes das empresas e advogados das partes, a reunião contou com a presença do vice-prefeito Edson Scabora (MDB) e do secretário de Mobilidade Urbana, Gilberto Purpur. A rodada de negociação começou por volta das 16h e terminou após às 19h. Tanto empresas como sindicalistas cobraram um maior envolvimento da administração municipal.

“O poder público tem de nos auxiliar na solução deste problema, porque a greve é ruim para todos: empresa, passageiros, prefeitura e sindicato”, cobrou Sandro Lunard, advogado do Sinttromar. “O que nos interessa, neste momento, é um protagonismo maior do poder público e uma postura mais clara e assertiva do prefeito [Ulisses Maia]”, acrescentou.

Lunard destacou que a reposição do salário perdido pela inflação é questão de dignidade. “O interesse do sindicato é pelo fim da greve. Entre o emprego e o desemprego, é lógico que vamos defender o emprego, mas desde que seja com dignidade para os trabalhadores”, disse.

A fala do advogado ocorreu após relato do dirigente sindical Jean Carlo Silveira sobre as dificuldades enfrentadas por alguns funcionários do transporte coletivo. “Você [representante da TCCC] não sabe quanta cesta básica a gente pegou para ajudar motorista que teve corte nos salários e demorou para receber a parte do governo. Tem companheiro que está passando dificuldade”, comentou Jean Carlo.

Segundo o presidente do Sinttromar, Ronaldo José da Silva, não há condição de os trabalhadores se submeterem à falta de reposição das perdas salariais e de abrir mão do pagamento da participação nos lucros e/ou resultados (PLR). O presidente propôs o parcelamento desse benefício na renovação do acordo coletivo de trabalho (ACT), além da manutenção do vale-alimentação.

As empresas não aceitaram negociar o PLR, sob a alegação de que a concessionária passa por dificuldades financeiras, agravadas pela pandemia do novo coronavírus (covid-19). Para a entidade sindical, é necessário apresentar panilhas que comprovem essa dificuldade. “Queremos documentos fidedignos, porque está falando que está quebrada desde 2018. Esse discurso aí não cola”, disse o dirigente Emerson Viana Silva.

Questionado sobre o que o município tem feito, Purpur disse haver recursos disponíveis, mas que não foram encontrados meios legais pela Procuradoria-Geral do Município (Proge) para fazer repasses às concessionárias. “Todas as alternativas foram avaliadas, como o adiantamento do passe do estudante, mas a Proge entendeu que poderia acarretar em improbidade”, disse o secretário.

Foi aventada a possibilidade jurídica de um projeto de lei ser votado pela Câmara para buscar uma solução para a legalidade ou não de um repasse emergencial na pandemia. Scabora também propôs a criação de um grupo de estudo, o que poderia ocorrer após a eleição. Essa proposta não agradou. “Não vamos deixar para resolver depois das eleições”, disse Viana.

O Sinttromar reforçou que a categoria tem reiterado, em assembleias diárias, que não aceita ficar sem nenhum reajuste ou indenização que compense as perdas salarias. Os trabalhadores também não aceitam a perda de direitos. Nesta sexta (17), às 9 horas, ocorrerá audiência de conciliação virtual na Justiça do Trabalho. Será a segunda rodada de negociação após o início da greve.

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